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terça-feira, 26 de agosto de 2014

"

Nem sei se ja escrevi algo sobre as aspas. De fato nunca soube real sentido do meio delas. Nem das reticencias entre os meios, nem o meio das reticencias, enfim. Sou interamente o fantasma que me aflinge. Então quando tive a impresão que ser eu fosse mais dificil que ser os outros, pura impresao apenas, tinha cometido o pior erro da minha vida: achar que sou imprevisivel. Sim, caro eu mesmo, sou tao previsivel quanto a logica biologica dos hormonios e a sociologica ecleriastica. Sou a logica picada e batida do cavalo que apenas galopa, e mesmo galopante sabe que vai cair no proprio passo.
l.mar

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Ocorrência

Vou precisar relatar, senhor, os abusos que sofri e os amores que não amei. Por esse instante achei que estava em 1866. Minha vida que não é nada de analitica, nem de instantanea, não precisa de analises, nem de instantes. Precisa, antes de tudo, viver. Vida que não é vivida, tão pouco disperdiçada, precisa mais que um buraco de minhoca ou uma boa vagina. Precisa ainda perder a vergonha que lhe foi dada e transpor em jornais: recompensa por uma sina.
l.mar

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

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Vivemos, porque jamais adiantaria morrer. Nem a miseria, nem a violência, nem a ficção de uma quarta-feira de manhã, nem a loucura depressiva dos azares.. Mas há, sobre todas as coisas, o desprezo, que apenas mecere lamento, dada pela semelhaça de um suicidio.
l.mar

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Feiosamente, amor

Claro que não
Não poderimos seguir com isso
E veja, ainda tenho um cisco
Talvez sempre terei
Eu tinha seu olhar
Naquela tarde de domingo
Veja o que fiquei
Eu andava meio sorrindo
Ando meio caindo
Por olhares parecidos com os seus
Olhos tão grandes
Que me sentia deus
Veja o que fiquei
Sadico e ateu
Veja, esse cisco não encolheu
Juro que nadei
E ainda nado
Na lagrima que escorreu
Ainda não fui claro?
Nunca
andei
tão
bem
Quanto andava
Dentro do olhar teu.
l.mar

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Modernamente, amor

Todos os homens previsiveis
E mulheres dramaticas
Espero o que de ti?
Compro-te um buquet de cemiterio
Espero ver teu olhar de confiança de quem achou o amor
Bem na hora que digo
"vamos pro sushi"
Espero ver teu olhar de confiança ao fingir-se forte,
entao partiu balada
Previsivel
Broxantemente,
essas idas e vindas
me cansando
e me tornando sedento
Procura-se um claustro.
l.mar