Quando me roubaram a preguiça e toda poesia, roubaram minha impaciência, me tomaram de assalto todas as horas do meu dia, só pra que eu pudesse dar o maximo que sobrava de mim.
Mas pra que então? Pra não restar nem a velha poesia do Vapor Barato de Waly Salomão? Pra enjoar do Escândalo de Caetano? Venho digerindo tudo isso como quem pega duas ou três poesias de Leminski pra ler, o tempo de uma lapada de cana.
Entre minhas tenazes nóias, coisa antiga minha, penso sobre todas as saídas que isso me deu. E veja, a melhor saída era nem ter descoberto a entrada. Não que eu vá enfim virar uma pedra e começar a testar a dureza dos outros. Por entender bem disso, eu não tenho caracter moral nem sentimental pra cruzar essa linha e flertar com a vulgaridade que já me riscou tanto.
Nessa parte me encontro tal qual um devoto católico olhando para seu santo milagreiro. Há de ter milagre ou tempo para crescer outro amor por essas terras?! Dê água, dê água.. Que as lagrimas de hoje, caem salgadas destes olhos fundos.
Qual música sobraria pra este regador então?! Uma noite e meia? Quem sabe um Pot-pourri, que não sobre tempo entre os sentimentais agudos dos compositores. Fugaz? Até demais pra mim. Eu não me acostumo com egoismo musical, poético, muito menos com egoismo sentimental.
Visto pelo meu sobrenome, cabe mais que o mar aqui. Assim, com prefixo gramatical de ausência: Amar. O que seria então essa epilepsia que sinto quando lembro de tudo que aconteceu?! Outro prefixo de ausência: Arritmia. Não, disritmia, já fugi daquela saia.. E quero sim me encontrar no mundo. Água nos olhos, mas pra espelhar corajosamente o encanto por outros olhos.
Com prefixo de ausência, e de persistência: Acreditar.
l.mar
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